À Conversa com Raquel Pinheiro

 

T – Raquel, conta-nos como é o teu processo criativo?

R – É sempre dificil falar do processo criativo, pois ele é tão complexo… uma dança entre o consciente e o inconsciente. Tentando focar-me mais no método de trabalho que acompanha o processo criativo, no meu caso começa sempre pelo desenho, muito desenho… as ideias saem pelo lápis e esta é para mim a forma mais intuitiva de colocar os pensamentos no papel, de os materializar em algo físico.

Na ilustração de livros infantis, área em que mais trabalho, o processo criativo passa numa primeira fase pela leitura e interpretação do texto, permitindo criar a narrativa visual que acompanha a palavra escrita. Uma leitura atenta permite-nos captar num texto pequenas subtilezas e pormenores… autênticas pistas que o autor por vezes nos oferece para ilustrar determinadas personagens ou ambientes e que muitas vezes não aparecem de forma tão descritiva. Para mim, essa é muitas vezes a parte mais interessante da ilustração de um texto. A ilustração é sempre uma interpretação muito pessoal, pois transporta uma enorme carga pessoal, a nossa identidade, fruto de uma constante viagem e procura ao mundo que nos rodeia e às nossas memórias. É aí que, na minha opinião, reside a maior riqueza da ilustração, na marca pessoal que cada artista/ ilustrador imprime nas suas obras.

No caso da ilustração de temas mais específicos, o processo criativo pode passar também, inicialmente, por alguma pesquisa histórica para que seja possível “mergulhar” na temática antes de partir para a fase dos esboços e posterior técnica seleccionada para finalizar o trabalho. Em qualquer dos casos, tento sempre distanciar-me de representações mais óbvias ou convencionais de forma a que a ilustração ofereça algo de novo, tal como acontece com o olhar apaixonado de uma criança quando observa o mundo ao seu redor, atenta aos pequenos pormenores. E são esses pequenos pormenores que gosto de ilustrar.

 

T – O que nos tens a contar da tua participação na Toranja?

R – Tem sido uma parceria muito gratificante. Além de ser muito curioso ver as Ilustrações em suportes tão diferentes dos habituais, a liberdade com que me é permitido ilustrar permite explorar registos gráficos muito diversos… o que é verdadeiramente uma “lufada de ar fresco”!

 

T – Como têm reagido os teus amigos e os apreciadores do teu trabalho ao verem as tuas ilustrações em produtos/objetos tão diversos?

R – Com a Toranja, as ilustrações saíram do papel e vivem agora em nosso redor, acompanhando-nos em objetos mais pessoais ou “espreitando” em cada canto das nossas casas. É verdadeiramente um mundo ilustrado e penso que é isso que fascina quem aprecia o meu trabalho, ver as minhas ilustrações em produtos tão diversos, podendo assim personalizar e dar “alma” a tantos objetos.

 

T – Se tivesses de eleger uma das tuas ilustrações, qual seria e porquê?

A “LULU”, até porque faz parte de uma coleção de “meninas” que gosto particularmente de ilustrar. Penso que é uma ilustração que graficamente resulta em vários suportes,  tenho a almofada e adoro… confesso que sou verdadeiramente apaixonada por almofadas e padrões!

 

T – Queres deixar alguma pergunta para algum dos nossos autores?

R – Pergunta não propriamente… mas referir apenas que sinto muito orgulho em pertencer a esta “Família Toranja” em que a maior riqueza reside nos registos visuais tão diversificados e pessoais, tornando definitivamente este mundo tão mais colorido e interessante!

 

Pode visitar o trabalho da Raquel Pinheiro em: http://toranja.pt/categoria-produto/autores/raquel-pinheiro-autores/